quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Lamborghini Huracan Sideways - Primeiro teste

Chegou a hora de partir para um primeiro teste de avaliação desta nova criação da segunda linha do fabricante Racer, dada a animosidade com que abracei a chegada deste extraordinário modelo GT3. E porque as minhas expectativas se encontram em alta, pareceu-me merecedor de no mais curto espaço de tempo, conhecer e dar a conhecer o que afinal nos chegou verdadeiramente.
 Uma vez que a maioria das participações em que marco presença acontecem em pistas de fabrico Ninco, opto pela utilização de um chassis muito flexível, prescindindo de imediato do seu chassis original. Daí a sua côr azul, correspondente à série mais macia dos três diponíveis pelo fabricante para este modelo.
 Depois de uma cuidada montagem da parte mecânica sobre o chassis e que aconteceu através da adopção de um berço Slot.It 0,5 Offset, motorização Scaleauto e ainda suspensões tanto atrás como lateralmente, era importante avaliar agora a valia desta nova máquina. Realçar que me preocupei por questões meramente estéticas, em manter as originais jantes do modelo, o que implica não ter outra opção que não a de manter também os seus pneus originais, nas jantes traseiras.
 No eixo da frente percebia-se que  os pneus frontais não seria a melhor das opções, pela sua exclusiva altura, pois a qualidade da borracha parece-nos excelente, dada a sua rigidez. mas foi um aspecto que ficou para mais tarde, a sua substituição por capas da Scaleauto.
 Houve também necessidade de alargar um pouco o furo de passagem do veio do patilhão, já que este ficava um pouco trancado. E porque há necessidade  de que este órgão trabalhe de forma absolutamente livre, tive que o alargar muito ligeiramente, através da utilização de uma lima de secção redonda. Note-se que foi uma operação que exigiu muito pouco desbaste, pelo que se aconselha a quem tenha que copiar a operação, que o faça sem qualquer exagero.
 Atrás e lateralmente foram montadas suspensões de origem Slot.It, ultra-soft. Mas estas opções poderão mostrar-se inválidas, de acordo com outros tipos de traçados, pelo que ficará à consideração de cada um.
 Tanto a carroçaria como o chassis e tanto à frente como atrás, encontram-se preparados para receber parafusos umbraco (M2), caso haja necessidade de limitar o trabalho entre estes dois órgãos. Pareceu-me não haver necessidade de recorrer e esses elementos, pelo que mantive o mini-modelo assim simplificado.

 Para melhor aquilatar a sua potencialidade em pista, pareceu-me bem poder compará-lo com alguns de outros modelos de outras categorias. E assim, após 10 voltas com cada um deles, registava o melhor tempo de cada um, servindo assim de marca comparativa. Note-se no entanto que apenas o Matra da Slot.It, um clássico, se encontrava como o único verdadeiramente preparado, podendo ser o tempo deste a marcar a referência para o Lamborghini, apesar das diferenças entre ambos, sobretudo ao nível da motorização.



 E assim foi na verdade, tendo o Matra marcado um tempo abaixo dos 11s. Sei que explorado ao limite, poderia ainda baixar cerca de 0,3s, mas o importante seria verificar qual o patamar a ocupar pelo Lamborghini.
 O seu primeiro registo após também 10 voltas, foi de 11,07s. Este registo ficava entre o melhor tempo do Lola LMP2 e o do Porsche de Grupo C. Apesar da velocidade demonstrada, mostrou-se sobretudo, muito estranho. Tanto fazia uma volta plena de bom comportamento, como passava a vibrar com as bruscas acelerações. Provocava isto, perda de saída nas rectas e algumas estranhas saídas, sobretudo nas curvas rápidas.
 Inicialmente foi para a pista sem pneus à frente, mas depois já com as capas da Scaleauto, todo o estranho comportamento se manteve. Era o desânimo, numa demolidora crença de estar perante uma verdadeira máquina. Mas havia necessidade de afinar a máquina até à descoberta da causa das vibrações.
Após várias mexidas, os registos lá foram descendo até ao melhor tempo conseguido pelo Matra, mas na verdade, não convencia, isto porque o mini-modelo não permitia consistência de andamento, permanecendo as indesejadas vibrações.


 E depois de muita insistência, lá começaram a surgir alguns registos interessantes, contudo, mantendo-se o desagradável comportamento com sucessivas voltas com o Lamborghini a ter falhas de eficácia à saída das curvas.
 O trabalho foi sobretudo tido nas suspensões, com ligeiras melhorias, correspondentes ao enrigecimento das suspensões, tanto laterais como traseiras.

 E 10,73s acabaria por ser já um registo a considerar, mas a minha satisfação, era nenhuma. Estava perante um modelo verdadeiramente desagradável e inconstante, com voltas registadas na ordem dos 10,80s e 11,15s. Esta disparidade levou-me a proceder a nova aposta no seu desenvolvimento. Vi-me obrigado à montagem das peças de que se fazem acompanhar estes chassis, de forma a anular a basculação entre as duas secções do chassis, isto porque, pareceu-me a causa das vibrações, o excesso de flexibilidade deste macio chassis.
 Resolvi também proceder a uma nova regulação do eixo frontal, baixando-o ligeiramente, de forma a permitir um maior apoio frontal, já que eram também inúmeras as saídas de frente.

 E a primeira entrada em pista mostrou que as saídas de frente se mantiveram, mas foi uma realidade a diminuição das vibrações. Quer isto dizer que se tornou mais agradável, mas sem que o problema estivesse resolvido.

 Os registos marcavam números similares aos obtidos com a anterior configuração, contudo, num modelo muito mais agradável.

 Mais umas afinações na basculação do chassis e os tempos acabariam mesmo por se fixar nos anteriores registos da anterior configuração. Mas algo mais drástico teria que se decidir na preparação de um modelo que parecia ter tudo para ser uma excelente máquina. Começava já a questionar a possibilidade de retomar o chassis original, pois começava a acreditar no excesso de flexibilidade deste chassis

 Mas insisti um pouco mais no acerto de alguns parafusos e os tempos lá iam correspondendo, apesar de em termos de sensibilidade, não parecer em nada, haver alguma evolução.
A minha insatisfação levou-me à sua desmontagem para tentar perceber se existia uma verdadeira causa para o estranho comportamento que este demonstrava. Depois de analisado o berço do motor, percebi que algo não estava bem. Sem qualquer visível fissura, mostrou uma estranha flexibilidade, o que me levou à opção de montagem de um novo berço, por considerar que este seria a verdadeira causa das estranhas vibrações.
 E depois de montada toda a mecânica, lá fui novamente para a pista. Uma série de 23 voltas em qualquer saída, só por si já demonstravam ter existido algum progresso. Mas foi muito mais do que isso. O desaparecimento das vibrações e um andamento com substancial constância de tempos veio demonstrar que de facto estava perante outra máquina. Os 10,66s marcam outra importante evolução. E este tempo, sim, aliado a uma série de registos similares, já o posicionam como sendo uma grande promessa.

 E de evolução em evolução, a paragem do cronómetro lá ia mostrando tempos cada vez mais surpreendentes e promissores.
 
 
 
  Até que se chegou mesmo aos registos dos 10,4s por várias vezes e onde um andamento na ordem dos 10,6/10,7s passou a ser um registo absolutamente vulgar. Associada esta evolução dos tempos a um comportamento são, deixaram-me agora ciente da enorme valia deste projecto da Sideways.

 O cronómetro acabaria nos 10,45s, um excelente registo já, com a certeza de que existe ainda margem para evolução, pois percebe-se o potencial emanado por este Lamborghini. Afinal, a confirmação do excelente trabalho e dedicação que este fabricante devotou no desenvolvimento desta aposta nos modelos GT3.
Agora venham as guerras, pois irão aparecer muitas e boas destas máquinas.