terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Brincadeiras de fim-de-semana - Circuito Vasco Sameiro

Decorreu mais um fim-de-semana automobilistico no Circuito Vasco Sameiro em Braga, numa iniciativa do Clube Automóvel do Minho. Podia-se participar com o seu carrinho do dia-a-dia numa prova de regularidade, ou então, no Rali Sprint, uma espécie de mini-rali que consistia em fazer o Kartódromo e o Autódromo, numa primeira fase no sentido do ponteiro dos relógios e numa segunda fase, ao contrário. Aqui, os automóveis já eram outros.
 Kartódromo

 Autódromo - Duas vistas - Em cima o final da recta e em baixo, a entrada na recta
Ao meio, a pista do aeródromo

 Fui convidado a participar por um grupo de amigos que habitualmente se juntam para umas brincadeiras por aquelas bandas. Como eu até já tinha feito uns ralis a sério como pendura, pensaram eles estar a contratar um "profissional". O carro, um Porsche, não poderia ter sido outro, um 944 já com alguma rodagem em cima mas que continua sem sentir o peso dos anos, numa primeira fase, com pneus fracos e um banco de pendura a balançar a cada aceleração e a cada travagem, permitiam um comportamento absolutamente catastrófico, considerando sobretudo que no sábado, a chuva lá ia deixando a pista bastante molhada.
 Mas para a tarde de sábado, o incansável Pedro Martins e a sua capacidade de verdadeiro desenrasque, lá desencantou uns pneus melhorzitos que permitiram na verdade, uma substancial melhoria, tanto na frente do Porsche que conseguia deixar-se levar para onde o piloto queria, como na traseira, que acabou também por tornar-se muito mais previsível. Um dos craques da equipa, o louco Gonçalo, ainda teve oportunidade de testar aqueles pneus e confirmar que o Porschezito já não estava assim tão mau.
Depois de um verdadeiro serão para fixar o banco do pendura, mas que não resolveu o problema da baket do piloto, o carro lá ficou a dormir, a recuperar forças para o dia seguinte. Mas o banco do piloto deixou o Luís Aguiar, o piloto, e a mim também, em verdadeiro apuro ainda no sábado de manhã, quando treinava-mos a terceira passagem. Trata-se de um piloto de pouca estatura e este Porsche é conduzido por pilotos bem mais altos. Este carro faz algumas resistências e o banco parece ter perdido a resistência original para se fixar onde a gente deseja e assim que partimos para a pista, o seu banco correu totalmente para trás, tendo o Luís quase ficado sem chegar aos pedais. O susto levou-nos a parar na berma da pista e a desenrascar de qualquer maneira a situação. Ficou sem posição de braços e a conduzir com a ponta dos pés. Se a isto somar-mos uma pista molhada e uns pneus altamente escorregadios, poderão fazer uma ideia do desconforto gerado naquele herói.
Luís Aguiar, o piloto

Luís Aguiar e eu, o pendura

No evento participaram uma infinidade de máquinas, umas verdadeiras, outras nem tanto...
Mas o parque encontrava-se recheado de verdadeiras glórias de outros tempos.

Não faltava a maravilhosa carripana de Abel Marques, o homem do Autobhianchi Abarth, ou algumas máquinas verdadeiramente artesanais, como este "mata-velhos" com uma motorização surpreendente.




Mas chegou o domingo e o nosso Porsche também lá quis estar. E esteve. (note-se - não é o da imagem de baixo).
Lá partimos para a nossa aventura e o Luís lá se adaptou a uma baket que oferecia muito pouca confiança, mas por incrível que possa parecer, também não comprometeu muito. Tirando o facto de não se encontrar na posição ideal, pelo menos não chegou a deslocar-se como havia acontecido nos treinos.
Mas o incrível e inexplicável, aconteceu e ditou que viéssemos a ocupar ao fim da primeira passagem, a última posição. Pois foi.
Depois de acertado a hora do meu telemóvel em casa pela hora PT, depois de ter confirmado a hora pelo relógio da organização, depois de ter batido a hora certa pelo controlo de partida, no final do troço, estivemos à espera das 10.55 para controlar. Qual foi o nosso espanto, quando o controlador que nos avisa que penalizamos pois já eram 11.00. Foram 5 minutos para penalizar, o que nos arruinou definitivamente e nos colocou na cauda da classificação.
Mas o desânimo não nos abalou, afinal até estávamos a brincar a feijões e lá continuamos a nossa brincadeira, sentindo eu que o Luís a cada passagem, mais atrevido ia ficando. Chegou a hora de por a minha pouca experiência em campo e lá lhe fui dando as notas que não permitiam que se viesse a exceder. Sim, é que nos fartamos de ver malta batida por todo o lado.
Este piloto que me trouxe de casa até ao autódromo e do autódromo até casa sem nunca passar dos 70 Km/h, lá dentro, bom, lá dentro não se intimidava nada com as potencialidades do carro alemão. A cada classificativa, ia percebendo a sua auto confiança a aumentar e os tempos a baixarem.
Mas apesar dos seus gloriosos esforços, não fomos além da penúltima posição. Atrás de nós, apenas um 205 a gasóleo e duma equipa feminina, mas aqui faço mea culpa, já que tudo se deveu a um inexplicável erro que dependeu de mim.



Mas soube muito bem esta brincadeira, apesar das desvantajosas características para o nosso Porsche, já que andar à chuva e num kartódromo de bombardeiro 944, não é mesmo para todos. Lembrem-se que ali não existe direcção assistida nem ajudas electrónicas, apenas adrenalina pura...

Obrigado Luís, obrigado Pedro Martins e obrigado Gonçalo por me terem proporcionado este fim-de-semana. Ah, não esquecer também um agradecimento ao Rui Queirós que ainda nos fez alguma companhia.