quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Que futuro para os LMP?

 Auguram-se dificuldades acrescidas, quanto à reprodução dos modelos da categoria LMP1, com produção real a partir do ano de 2014, inclusive. Até esta data, os construtores elaboravam os seus modelos de acordo com a vigência do regulamento existente. Mas para 2014 a nova regulamentação estipulava novas cotas para este tipo de carros, onde a mais significativa se prendia com a redução da sua largura máxima, como forma de redução da velocidade em curva.
É possível observar-se na imagem de cima, no modelo mais à direita e que corresponde ao vencedor da última edição das 24 H de Le Mans em 2014, como se encontra mais estreito relativamente aos seus irmãos igualmente vencedores, a partir de 2011.
Na imagem de baixo, confronta-se as versões de 2014 com a de 2013.
 Em baixo, do lado direito surge a versão 2013 e à esquerda a de 2014. É notória a diferença de larguras entre ambos. Mas se nesta secção não me pareça que possam surgir grandes inconvenientes, já a secção traseira poderá causar questões insolúveis, ou necessidade de se recorrer a novos conceitos mecânicos alternativos. Mais abaixo abordaremos a questão de forma a compreender a dificuldade que esta alteração de cotas arrastará.

 Até a parte central situada para trás do cockpit se afunila mais rápidamente, não me parecendo no entanto que esta possa ser uma questão vital e que ponha em causa as futuras recriações.

 Na parte frontal e relativamente ao modelo abordado, parece até poder vir-se a beneficiar, já que um ganho em altura da parte central, poderá ser bastante benéfico. E tal como se pode vêr, também o próprio habitáculo ficou subido e também mais estreito.
 Mas passemos então, para o que poderá vir a constactar-se como um obstáculo intransponível. Apesar disso, haverá sempre soluções, até porque começamo-nos já a habituar a uma certa astúcia por parte pelo menos da Slot.It, na resolução de grandes problemas. Basta por exemplo lembrar-mo-nos na desmultiplicada solução encontrada para traccionar os novos Formula 1, sem que para isso se lhes alterasse o desenho do capôt traseiro (Policar) ou até ao engenhoso sistema desenvolvido para permitir ao Audi aqui mostrado a tracção integral. Para além disso, pode-se sempre fugir ao rigor das escalas e fazer de conta que nada aconteceu, o que será por ventura a solução mais comum entre os fabricantes, ou simplesmente, recorrer-se à deformação das secções da carroçaria a que se vejam obrigados, para que tudo possa funcionar convenientemente. No entanto, habituei-me já, a que pelo menos este fabricante italiano, seja muito cívico e competente estando eu em crer que serão suficientemente eficazes na definição de novas soluções para tamanho problema.
 O conceito utilizado de adoptar um berço de motor amovível e com a colocação da motorização na chamada posição alglewinder, ou seja, obliquo relativamente ao eixo longitudinal do modelo, parecia e ainda a mim me parece, uma excelente e quase eterna solução. Mas agora com a redução da largura total do modelo, a situação parece ter-se tornado altamente complicada. A roda que se situa do lado da engrenagem, encontra-se no limite da carroçaria. Por outro lado, a jante encontra-se completamente encostada à cremalheira e esta por sua vez, ao próprio berço do motor. Assim sendo, não há como conseguir-se meter mais para dentro a roda, o que faria com que sobressaísse da carroçaria, se esta ficasse mais estreita. Conseguir aproximar a jante do centro, parece também não ser a solução, porque o pneu já se encontra demasiado próxima do pinhão.
 Teremos ainda outra questão a ter em conta. Dada a proximidade da cremalheira ao interior da cava da roda, parece encontrar-mo-nos no limite de todas as cotas e sem qualquer margem para contornar o problema
 Não se augura então uma solução fácil, a menos que se partam para novos conceitos que implicarão acréscimo de investimentos e porventura com inferioridade de eficácia dinâmica. Poder-se-à recorrer a um novo ângulo de ataque do motor relativamente ao eixo, o que permitiria assim, chegar-se a um berço mais estreito. Mas para isso, o sistema de engrenagem seria obrigado a um novo estudo, já que o ataque pinhão/cremalheira passaria a ser diferente. Também o motor acaria para ser arrastado ligeiramente para a frente, existindo sempre a possibilidade deste entrar pelo zona do habitáculo (cockpit).
Que esperar então do futuro desta categoria? Uma revolução, ou simplesmente fazer de conta que nada aconteceu?