terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Porsche em Le Mans - Um pouco de história

A Porsche envolveu-se pela primeira vez na aventura de Le Mans, no longínquo ano de 1951. O modelo, um Porsche 356 da série Gmünd, um pré A, dotado de um motor de 1086cc e uma carroçaria de alumínio com um peso total de 640Kg, completou esta sua primeira participação na 20ª posição final, mas sagrando-se vencedor do Indíce de Performance.
 Inscrito pela própria fábrica, tinha como equipa de pilotos A. Veuillet e E. Mouche. August Veuillet era um jovem importador francês e contou nesta participação com os dotes do seu amigo Edmond Mouche. Este motor de baixa cilindrada não debitava mais do que 46cv, mas era capaz de impulsionar este Porsche até à velocidade de 160 Km/h.
 A sua melhor volta foi cumprida com o tempo de 5´44.7'', o que lhe valeu uma média de 139.75 Km/h. Este foi o modelo que deu início à conquista de Le Mans, por parte da Porsche.

 Em 1953, a Porsche inovava a sua participação com a introdução de uma nova carroçaria, o Type 550, mais aerodinâmico e bastante leve. 550 Kg era o seu peso, para uma cilindrada de 1495cc.
 Inscrito pela própria Porsche KG e conduzido por von Frankenberg e P. Frère, no final, a 15ª posição correspondeu a uma kilometragem total de 3332.03Km e a uma média de 138.03Km/h.

 Neste mesmo ano, foi inscrito com o número 46, um 356 e com o número 49, um 356SL. Enquanto o primeiro dispunha de um motor de 1488cc, o 356SL dispunha de um modesto motor de 1090cc. Os dois Type 550 e este SL foram inscritos pela Porsche KG, enquanto o único Porsche privado era inscrito por Gonzague Olivier.
 A dupla de pilotos do 356SL era composta por Veuiller e Müller, mas esta participação não foi além da 18ª hora e ocupavam a 31ª posição na hora que precedeu a sua desistência.



 Em 1956, para além dos quatro 550, dos quais dois eram 550A, participaram ainda dois modelos da séria 356. Um era o 356A inscrito por Bourel e foi conduzido por ele próprio e ainda Slotine.
 À geral, havia de conseguir um brilharete ao conseguir o 13º posto e segundo melhor dos Porsche. Tratando-se de um privado que com um modelo destes de 1290cc de cilindrada e capaz de uma média final de 118.81 Km/h, é de facto de considerar, uma proeza.

 No mesmo ano, a outra base de 356, tratava-se na verdade de algo mais performante. Tratava-se de um Type Carrera 1500 de 1498cc e foi inscrito pela própria Porsche KG. No entanto, o seu percurso na prova perdurou apenas até à nona hora. Como pilotos, estiveram ao seu volante Nathan e Glöckler.


 1957 assistiu à única participação de um Porsche 356A Cabriolet, em Le Mans. A sua participação foi efémera, já que não foi além da 4ª hora e quando era 48º classificado na hora que precedeu o seu abandono. Curioso será mencionar, que a totalidade dos Porsche participantes nesta edição, num total de seis, encontravam-se dotados de motorizações absolutamente iguais, com 1498cc de capacidade.
 Este modelo foi inscrito por Slotine e guiado por si mesmo e ainda Bourel. Foi o primeiro dos Porsche a abandonar, devido a um piston furado. Nesta edição, o melhor resultado da marca coube a um 550A, na 8ª posição.

Em 1958, a participação dos germânicos recaía em três modelos 718 RSK e em dois 550 A. A melhor representação coube ao 718 RSK com o número 29 com a dupla de pilotos Behra/Herrmann, classificando-se na terceira posição final absoluta, completando um total de 3909.64 Km, a uma média de 162.90 Km/h. Os três 718 foram inscritos pela Porsche KG enquanto os dois 550 A eram inscritos por equipas privadas.

 Em 1960 a Porsche introduz uma nova carroçaria. Tratava-se do 718, Type RS60. Foram cinco os modelos participantes com esta designação, mas a melhor representação coube ao sexto e único Porsche Type 1600 GS, no 6º lugar.
 Este 718 foi inscrito por Kerguen e para além dele próprio, foi ainda guiado por Lacaze. O resultado ficou-se por uma desistência à 8ª hora, causada por problemas de distribuidor.

Em 1961, dos 5 modelos participantes da marca Porsche, quatro deles eram inscritos pela Porsche System. Três deles sob a designação RS61, sendo o inscrito com o dorsal 33, um spyder.
Com o dorsal 32, um RS61 tripulado pela dupla E. Barth/Herrmann que se classificou na sétima posição, dois lugares abaixo do modelo Spyder. Percorreu durante o período de 24 horas, 4112.29 Km, o que lhe conferiu uma média final de 171.34 Km/h.
 O modelo Spyder dispunha de um motor de 1967cc, enquanto os restantes RS61, um pouco menos potentes, eram equipados com motorizações de 1679cc no número 30 e 1606cc no número 32.
Os dois outros modelos eram o 695GS, ambos com motores de 1588cc.

 Em 1963, foi a vez da marca alemã inscrever os novos 718/8 na quantidade de dois, sendo que um em versão Spyder e o outro, um modelo fechado.
O 718/8 com o dorsal 28, acabou por ser o melhor representante dos quatro carros inscritos pela Porsche System. Conduzido por Barth e Linge, completou a prova na 8ª posição, com uma média de 168.76Km/h. O seu motor de 1981.5cc aliado a um chassis equilibrado, permitiam-lhe performances muito interessantes.

 Nesse mesmo ano, os outros dois modelos participantes oficiais, eram os Type 2000 GT. Com o nº30, o melhor dos três restantes, apesar de se pautar por uma desistência à 10ª hora. Como pilotos, Ben Pon e Schiller.
Enquanto os modelos 718/8 dispunham de motorizações de 1981.5cc, estes 2000 GS eram equipados com motor de 1967.7cc para um peso total de 825Kg.


Estamos presentemente em 2012, 61 anos após a estreia da marca na clássica francesa. E a Porsche criou muito recentemente o modelo 918 Spyder, uma espécie de laboratório de pesquisa  e preparação para nova reentrada em grande, nesta mítica prova de resistência. Trata-se de um hybrido, cujo desenvolvimento promete resultados surpreendentes.